quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Esquivando-me à caixa mágica.

Quando vivíamos em Madrid, na Plaza Mayor, dividíamos a casa com outros dois rapazes. Nessa casa não havia um sofá propriamente dito, mas uma espécie de sofá monolugar, sem braços, com o tecido gasto e com um ferro (estrategicamente colocado) que se sentia quando nos sentávamos.

Era muito raro alguém sentar-se naquele lugar, salvo alguma visita desprevenida que depois de subir 4 andares súper íngremes, se atirava ao sofá e descobria de rompante o maldito ferro.

Outra característica da nossa sala era a televisão. A televisão era a que eu tinha no meu quarto em Lisboa, ou seja, era mínima e para ver tínhamos de estar mesmo próximos do ecrã. Nada cómodo, mesmo.

Ou seja: Televisão medíocre e um sofá ainda mais medíocre.

E onde é que isto nos leva?

Nessa altura nós não víamos televisão. Eventualmente víamos algum filme alugado sentados no chão, mas normalmente não víamos nada mais que o telejornal que dava durante a hora de jantar e que comentávamos enquanto comíamos. Foi uma época em que a caixinha mágica perdeu protagonismo na nossa vida. O mau foi quando mudámos de casa e voltámos a descobrir que ter um sofá e uma televisão maior era muito bom.


Ora, hoje em dia, quando já terminámos tudo o que temos para fazer:  já  jantámos, já demos banho e vestimos o L, já deixámos tudo arrumado, normalmente aterramos no sofá para nos preparámos psicologicamente para a hora do sono. Parece-me lógico que saiba tão bem! De repente ali, naquele quadrado, tudo se faz e desfaz sem ser preciso fazer nada. Só por um momento podemos estar quietos a ver como se desenvolvem as imagens daquele lado.

Quando eu escrevi o titulo: "Esquivando-me à caixa mágica", não me referia a estes momentos do horário nobre, mas às horas que passo em casa durante o dia. Não quero sentar-me a ver televisão e ficar, ficar, ficar até que chegue a hora de ir buscar o L. Recuso-me a ver,  não viver a vida e a ver a vida passar lá fora pelo canto do olho, enquanto estou agarrada ao ecrã. Por isso, quando estou em casa sozinha não ligo a televisão e quero manter este hábito. Há milhões de coisas que/por  fazer....

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